Pular para o conteúdo
4,9 74 avaliações no Google Bom Clima, Guarulhos · presencial e online

Bem-estar e hábitos

Ozempic e Mounjaro: efeitos na saúde mental

6 min de leitura Atualizado em Equipe Aster Psicologia

Ozempic e Mounjaro: efeitos na saúde mental — Blog Aster Psicologia

Nos últimos anos, medicamentos da classe dos análogos de GLP-1, desenvolvidos para o diabetes tipo 2 e também indicados em certos casos de obesidade, ganharam enorme visibilidade e passaram a ser buscados também para a perda de peso. O uso de qualquer medicamento deve ser sempre indicado e acompanhado por médico. Influenciadores, celebridades e até amigos próximos passaram a divulgar suas experiências com esses remédios, muitas vezes sem considerar os efeitos colaterais, principalmente os que envolvem a saúde mental. 

Mas será que a busca pelo corpo ideal justifica qualquer tipo de risco? Neste artigo, vamos explorar de forma clara e didática os impactos psicológicos negativos causados pelo uso dessas substâncias, trazendo exemplos práticos, questionamentos importantes e alertas para quem pensa em seguir esse caminho. 

O fascínio pelo corpo ideal e a pressão estética 

Vivemos numa sociedade onde a pressão estética dita comportamentos e escolhas. As redes sociais estão repletas de corpos esculpidos, antes e depois impressionantes e promessas de “fórmulas mágicas” para emagrecer. Nesse contexto, esses medicamentos passaram a ser usados com frequência por pessoas que nem sequer têm diabetes, mas desejam perder peso rapidamente. 

O problema começa quando essa pressão estética passa a interferir diretamente na autoestima e identidade do indivíduo. Pessoas que utilizam esses medicamentos sem orientação adequada muitas vezes se veem presas em um ciclo de comparação constante, desenvolvendo transtornos de imagem corporal, ansiedade e até depressão ao não alcançarem os resultados esperados. Afinal, quando o espelho não reflete o padrão idealizado, a frustração bate forte. 

Oscilações emocionais causadas pelos efeitos colaterais 

Um dos pontos menos discutidos do uso desses medicamentos são as possíveis alterações no humor e no comportamento emocional. Eles atuam no sistema digestivo, no controle da glicemia e em hormônios reguladores do apetite e da saciedade, e a relação com o humor ainda é tema de estudo. 

Alguns usuários relatam episódios de irritabilidade intensa, apatia, baixa motivação e alterações bruscas de humor. Imagine uma pessoa que já enfrenta estresse no trabalho e problemas familiares: ao adicionar um medicamento que mexe com seu apetite e humor, isso pode aumentar o desgaste emocional. Além disso, a restrição alimentar forçada, promovida por esses remédios, pode afetar o humor e agravar quadros de ansiedade e depressão em pessoas vulneráveis. 

Risco de desenvolvimento de transtornos alimentares 

Um dos maiores perigos do uso indiscriminado desses medicamentos é o incentivo ao comportamento alimentar desordenado. Ao suprimir o apetite de forma intensa, o uso sem indicação e sem acompanhamento pode favorecer ou agravar transtornos alimentares em pessoas vulneráveis. 

Vamos imaginar uma jovem que, influenciada por amigas e celebridades, começa a usar o medicamento mesmo sem indicação médica. Em poucos dias, perde o apetite e passa a pular refeições. Com o tempo, associa essa “falta de fome” ao sucesso e passa a sentir culpa ao comer. Essa relação distorcida com a comida é um terreno fértil para o surgimento de hábitos alimentares nocivos, que afetam tanto o corpo quanto a mente. 

Além disso, ao parar de tomar o remédio, muitas pessoas enfrentam o chamado “efeito rebote”, recuperando rapidamente o peso perdido. Essa oscilação pode provocar um sentimento de fracasso, alimentando ainda mais os distúrbios mentais relacionados à alimentação. 

A ilusão de controle e a dependência emocional 

Algumas pessoas relatam uma sensação de dependência emocional em relação ao medicamento. O indivíduo passa a acreditar que só é capaz de manter o peso ou se sentir bem consigo mesmo enquanto estiver usando o medicamento. Isso cria um vínculo tóxico entre o remédio e a autoestima. 

Imagine uma pessoa que passou a vida inteira lutando contra o peso. Ao começar a usar o medicamento, ela finalmente vê resultado. Porém, em vez de trabalhar sua relação com o corpo, deposita todo o mérito da conquista na substância. Quando, por qualquer razão, precisa interromper o uso, sente-se insegura, desmotivada e fracassada. É como se perdesse o controle da própria vida, entrando em um ciclo de autossabotagem e ansiedade generalizada. 

Esse padrão reforça a ideia de que o remédio é uma muleta emocional, afastando o indivíduo de soluções mais sustentáveis e saudáveis, como a terapia psicológica, a educação alimentar e a atividade física prazerosa. 

A negligência do acompanhamento psicológico 

Outro problema grave é a ausência de acompanhamento psicológico durante o uso desses medicamentos. O uso desses medicamentos deve ser sempre prescrito e acompanhado por médico, e o cuidado com os efeitos na saúde mental precisa fazer parte desse acompanhamento. Sem isso, os pacientes podem não perceber mudanças emocionais como parte do processo.

É comum ouvir relatos como: “Desde que comecei o remédio, me sinto estranho, meio triste, mas deve ser só o estresse.” Essa normalização dos sintomas mascara sinais importantes de desequilíbrio mental, que poderiam ser identificados precocemente com o auxílio de um psicólogo ou psiquiatra. Sem esse suporte, o usuário pode acabar negligenciando suas emoções, acumulando tensões e, eventualmente, chegando a um quadro clínico grave, como o agravamento de uma depressão ou de uma crise de ansiedade. 

Além disso, a ausência de suporte psicológico reforça a ideia de que o problema está apenas no corpo físico — e não nos fatores emocionais que o influenciam. 

O impacto social e o isolamento emocional 

O uso desses medicamentos também pode provocar mudanças no comportamento social. A perda rápida de peso, o desconforto com os efeitos colaterais e a alteração na relação com a comida podem levar ao isolamento social. Pessoas que antes participavam de encontros, jantares ou atividades em grupo passam a evitar eventos por vergonha, fadiga ou falta de apetite. 

Esse isolamento pode ter efeitos importantes na saúde mental. A ausência de conexão humana, somada à constante vigilância sobre o próprio corpo, leva a sentimentos de solidão, inadequação e tristeza. Além disso, muitas vezes os amigos e familiares não entendem o que está acontecendo, reforçando o sentimento de incompreensão. 

A pessoa deixa de viver momentos prazerosos com medo de sair da dieta, de engordar ou de se sentir julgada. E assim, o remédio que deveria ajudar acaba roubando o prazer de viver, prejudicando relações importantes e impactando o bem-estar emocional. 

A importância do psicólogo e da terapia nesse processo 

Diante de tantos impactos emocionais e psicológicos provocados pelo uso desses medicamentos, é fundamental destacar o papel indispensável do psicólogo. O processo de emagrecimento — principalmente quando mediado por medicamentos — não deve ser encarado apenas como uma mudança corporal, mas como uma transformação subjetiva, que toca em questões profundas como autoestima, identidade, autocontrole e aceitação. 

O acompanhamento psicológico oferece um espaço seguro para que o indivíduo possa refletir sobre suas motivações, lidar com as frustrações e aprender a cuidar de si de forma mais gentil e saudável. Na Aster Psicologia e Psiquiatria Guarulhos, a psicoterapia pode ajudar a reconhecer gatilhos emocionais que influenciam os hábitos alimentares, contribuir para a prevenção de transtornos e oferecer suporte para os momentos de recaída ou insegurança. 

Além disso, o psicólogo atua como um aliado na construção de um projeto de vida mais equilibrado, onde o emagrecimento não é o único objetivo, mas apenas uma parte de um processo mais amplo de autoconhecimento e bem-estar integral. Passar por terapia durante esse processo não é um luxo — é um apoio importante para quem deseja transformar o corpo sem perder a saúde emocional no caminho.

Quando procurar ajuda profissional

Procure apoio se a preocupação com peso e aparência domina seus pensamentos, se há culpa ao comer, isolamento, tristeza ou ansiedade persistentes, ou se você sente que depende do medicamento para se sentir bem. O atendimento com psicólogo em Guarulhos ajuda a cuidar da relação com o corpo, e a nutrição complementa o cuidado alimentar. Veja também o apoio em casos de compulsão alimentar. A Aster atende presencialmente em Guarulhos, no Jardim Bom Clima, e também online, de segunda a sexta das 7h às 22h e aos sábados das 7h às 18h.

O uso de qualquer medicamento deve ser decidido com seu médico. Se surgirem pensamentos de se machucar ou de desistir da vida, ligue para o CVV (188), gratuito e 24 horas, ou procure o pronto-socorro mais próximo.

Perguntas frequentes

Medicamentos para emagrecer podem afetar a saúde mental?

Podem se relacionar a impactos emocionais, sobretudo quando usados sem orientação e sob forte pressão estética. Relatos incluem irritabilidade, desânimo, ansiedade e frustração com o corpo. Efeitos e riscos variam de pessoa para pessoa e dependem de indicação, dose e acompanhamento. Qualquer mudança de humor durante o uso deve ser comunicada ao médico que acompanha o tratamento.

Esses remédios podem causar transtornos alimentares?

Em pessoas vulneráveis, a perda intensa de apetite e a culpa ao comer podem favorecer comportamentos alimentares de risco, como pular refeições ou restringir demais. Isso não ocorre com todos, mas exige atenção, principalmente em jovens e em quem já tem preocupação excessiva com peso. Sinais de alerta devem ser avaliados por psicólogo, psiquiatra e nutricionista.

Posso usar esses medicamentos para emagrecer sem acompanhamento?

Não, o uso deve ser sempre feito com indicação e acompanhamento médico, que avalia necessidade, riscos e efeitos colaterais. Usar sem orientação, por influência de redes sociais ou de conhecidos, pode trazer prejuízos físicos e emocionais. Em caso de dúvida, procure um médico; a psicoterapia e a nutrição podem apoiar o cuidado de forma complementar.

Por que a terapia é importante durante o emagrecimento?

A terapia ajuda a compreender motivações, a lidar com frustrações e a desenvolver uma relação mais gentil com o corpo e a comida. Ela também ajuda a reconhecer gatilhos emocionais que influenciam hábitos alimentares e oferece suporte em momentos de insegurança ou recaída. Assim, o emagrecimento deixa de ser o único objetivo e passa a fazer parte de um cuidado mais amplo.

Quais sinais mostram que preciso de ajuda psicológica?

Procure ajuda se você sente culpa intensa ao comer, evita encontros por medo de comer ou engordar, pensa no peso o tempo todo, nota tristeza ou ansiedade persistentes ou sente que só valoriza o corpo quando está usando o medicamento. Esses sinais indicam sofrimento e merecem avaliação de psicólogo ou psiquiatra, sem julgamentos.

Seu próximo passo

Dê o primeiro passo com acolhimento

Agende uma pré-consulta gratuita de psicologia ou fale com nossa equipe. Atendimento presencial no Bom Clima, em Guarulhos, e online.

4,9 · 74 pacientes avaliaram a Aster no Google
Olá! Posso ajudar a agendar?