O documentário “O Golpista do Tinder”, disponível na Netflix, traz a história de um jovem israelense que seduziu dezenas de mulheres através do aplicativo de relacionamento e que, segundo diversos meios de comunicação, teria tomado dinheiro de suas vítimas. Na produção, o rapaz se passa por um magnata do ramo de pedras preciosas multimilionário para enganar as suas vítimas e aplicar os seus golpes.
Ficção? História de Internet? Não: a produção se baseia em fatos reais. Além disso, no Brasil, há casos noticiados de golpes e crimes que começam em aplicativos de relacionamento, com encontros marcados que terminam em extorsão e roubo. É uma situação muito mais grave do que cair em um golpe financeiro.
Vale lembrar que todo cuidado é pouco: o que seria um encontro casual, o início de um possível namoro ou de uma amizade pode, em casos raros, se tornar um risco.
Mas o que pode levar pessoas a caírem nessas armadilhas virtuais? Carência afetiva, desespero, sexo fácil, problemas de baixa autoestima, depressão, ansiedade e outros fatores podem tornar alguém mais vulnerável, mas cada caso é único. Conhecer pessoas por aplicativos é comum, e a maioria dos encontros é segura, porém é preciso cautela ao conhecer alguém pessoalmente após um contato virtual: marque em local público e movimentado, avise alguém de confiança e desconfie de pedidos de dinheiro.
Considerar as relações familiares, o contato com os amigos e com a comunidade em que vivemos é essencial para nos livrar dessas armadilhas. Às vezes a angústia da carência e ansiedade em ter alguém pode ser tão grande que leva a decisões precipitadas. Não é errado conhecer alguém, se relacionar, se sentir amado e desejado, mas isso atualmente requer cuidado e atenção na forma em que vamos obter esses sentimentos para satisfazer essa necessidade.
Quando procurar ajuda profissional
Se a solidão, a baixa autoestima ou a ansiedade estão levando você a se expor a situações de risco, ou se você viveu um golpe ou uma violência e sente medo, culpa ou tristeza persistente, procure apoio. Conheça o atendimento com psicólogo em Guarulhos e, se o sofrimento envolver tristeza prolongada, veja o tratamento para depressão.
Em situação de risco à vida ou de sofrimento intenso, ligue para o CVV (188, 24h, gratuito), para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro mais próximo. O atendimento pode ser presencial, no Bom Clima, em Guarulhos, ou online.
Perguntas frequentes
Por que as pessoas caem em golpes de aplicativos de relacionamento?
Porque golpistas exploram o desejo legítimo de afeto e atenção. Momentos de solidão, carência, baixa autoestima ou ansiedade podem diminuir a percepção de risco. Cair em um golpe não é falta de inteligência. Se esse padrão se repete na sua vida, a psicoterapia pode ajudar a entender e fortalecer seus limites.
Como me proteger ao conhecer alguém pela internet?
Desconfie de pressa, pedidos de dinheiro e histórias grandes demais. Antes de um encontro, converse por vídeo, avise uma pessoa de confiança, escolha local público e movimentado e informe seu trajeto. Não compartilhe dados bancários nem fotos íntimas. Em caso de dúvida, cancele o encontro. Sua segurança vem primeiro.
Carência afetiva pode me deixar mais vulnerável a golpes?
Sim, pode deixar. Quando a necessidade de ter alguém é muito intensa, é mais fácil ignorar sinais de alerta. Isso não é um defeito pessoal, e sim algo que pode ser trabalhado. Na terapia, você aprende a reconhecer essa necessidade e a buscar relações mais seguras, sem se expor a riscos.
O que fazer se fui vítima de um golpe ou de violência após um encontro?
Procure segurança primeiro: em risco imediato, ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro mais próximo; para denunciar, procure a delegacia. Depois, busque apoio emocional, pois medo, culpa e vergonha são comuns. O CVV (188, 24h e gratuito) oferece escuta. Um psicólogo pode acompanhar a recuperação com cuidado e sem julgamento.
A terapia ajuda quem tem dificuldade em se relacionar?
Sim, pode ajudar. A psicoterapia permite compreender padrões nos relacionamentos, trabalhar autoestima, ansiedade e medo de ficar sozinho. Com a Terapia Cognitivo-Comportamental, a pessoa aprende a identificar pensamentos e comportamentos que a deixam vulnerável. Os resultados variam, e o ritmo é respeitado pelo profissional.



