A disforia de gênero é o sofrimento psicológico que pode surgir quando a identidade de gênero de uma pessoa — a forma como ela se reconhece — não corresponde ao sexo atribuído no nascimento e às expectativas sociais ligadas a ele. Na Aster Psicologia e Psiquiatria Guarulhos, psicólogos e psiquiatras acolhem adultos, jovens e crianças com queixas relacionadas à identidade de gênero e à sexualidade, com escuta ética, sem julgamentos e com foco em saúde mental e qualidade de vida. O atendimento é presencial no Bom Clima, em Guarulhos, e também online.
Disforia de gênero e identidade de gênero com psiquiatra e psicólogos em Guarulhos
O gênero é um fator determinante no desenvolvimento da subjetividade. O que se entende por “masculino” e “feminino” tem uma representação social, construída historicamente. Essa construção afeta diretamente quem vive a disforia de gênero: ao crescer e se desenvolver sem se sentir adequado às expectativas atribuídas ao seu gênero, a pessoa pode experimentar sofrimento psicológico importante. É nesse momento que muitas pessoas procuram um psicólogo em Guarulhos para ajudar a compreender e a lidar com o que estão vivendo.
Uma construção social que começa na infância
Desde muito cedo, crianças aprendem que existem coisas “de menino” e coisas “de menina”. No senso comum, alguns exemplos clássicos são:
- Associados aos meninos: futebol, carrinho, brinquedos de tiro ao alvo, espada, caixa de ferramentas e a cor azul.
- Associados às meninas: bonecas, casinha, utensílios de cozinha, maquiagens e a cor rosa.
Na concepção de muitos pais, esses objetos são “naturalmente” destinados a um ou outro sexo. Antes mesmo de o bebê nascer, ao saberem o sexo biológico do feto, as famílias compram roupas, pintam o quarto de determinada cor e já esperam certos comportamentos aos quais a criança deverá corresponder. É preciso considerar, porém, que essa é uma construção social — e que nem todas as pessoas se adequam a essas normas.
No livro Gênero: uma perspectiva global, Raewyn Connell e Rebecca Pearse (2015) definem gênero como “a estrutura de relações sociais que se centra sobre a arena reprodutiva e o conjunto de práticas que trazem as distinções reprodutivas sobre os corpos para o seio dos processos sociais” (CONNELL & PEARSE, 2015, apud PROCÓPIO, 2016, p. 1007).
O que é a disforia de gênero?
Fala-se em disforia de gênero quando a identidade de gênero de uma pessoa — isto é, a forma como ela se reconhece em relação ao seu gênero — é vivida como incompatível com o seu corpo ou com o gênero que lhe foi atribuído, gerando desconforto e sofrimento. O termo “incongruência de gênero” também é usado para nomear essa percepção de si.
Sexo biológico e gênero não são a mesma coisa
Existe diferença entre os conceitos de sexo biológico e de gênero:
- Sexo biológico: refere-se às características do corpo, como a genitália.
- Gênero: é uma construção social que influencia a forma como a pessoa se comporta e se apresenta socialmente — por exemplo, por qual pronome deseja ser chamada (ele, ela).
- Orientação sexual: diz respeito a por quem a pessoa sente atração. É uma dimensão diferente da identidade de gênero.
Quais são os sinais que ajudam a identificar a disforia de gênero?
Existem casos em que a criança, o adolescente ou o adulto reconhece em si o desejo de pertencer a outro gênero, sem se sentir confortável com aquilo que lhe foi imposto. Alguns sinais que costumam aparecer nos relatos de quem vive essa experiência são:
- desconforto persistente com o gênero atribuído no nascimento;
- desejo de ser reconhecido e tratado como pessoa de outro gênero;
- incômodo com características do próprio corpo associadas ao sexo biológico;
- sofrimento diante de expectativas sociais sobre roupas, brincadeiras, nomes ou pronomes;
- impacto emocional, como ansiedade, tristeza, isolamento ou conflitos familiares ligados a essas questões.
Esses sinais não substituem uma avaliação. Somente profissionais de saúde mental, em uma escuta cuidadosa e individual, podem compreender cada história.
Prevalência descrita na literatura
Segundo revisão de Mariano e Moretti-Pires (2018), a quinta edição do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5) aponta uma prevalência de disforia de gênero entre 0,005% e 0,014% em homens adultos e entre 0,002% e 0,003% em mulheres adultas. Em crianças, a relação por sexo varia de 2:1 a 4,5:1 entre meninos e meninas, respectivamente (MARIANO & MORETTI-PIRES, 2018, p. 2). Esses números refletem as pessoas que buscam serviços especializados e podem não representar toda a população.
A sigla LGBTQIA+: orientação sexual e identidade de gênero
Junho é o mês do orgulho LGBTQIA+, e o dia internacional do orgulho é celebrado nesse mês. A sigla representa formas de orientação sexual e de identidade de gênero de pessoas não heterossexuais ou que não se identificam com o gênero atribuído no nascimento. Todos os anos, em junho, sexualidade e identidade de gênero ganham destaque para gerar conscientização. Conhecer a sigla ajuda a reduzir o preconceito vivido pelas pessoas que se sentem representadas por ela.
- L — lésbicas: mulheres que sentem atração por mulheres.
- G — gays: homens que sentem atração por homens.
- B — bissexuais: pessoas que sentem atração por mulheres e por homens.
- T — transexuais ou transgêneros: pessoas que não se identificam com o sexo atribuído no nascimento e expressam um gênero diferente do que lhes era esperado.
- Q — queer: pessoas que não se identificam com o padrão heteronormativo (atração apenas por pessoas do sexo oposto). A expressão é menos usada no Brasil.
- I — intersexuais: pessoas que nascem com variações nas características sexuais (genitais, cromossômicas ou hormonais) que não se encaixam nas definições típicas de masculino e feminino. Por muito tempo foram chamadas de “hermafroditas”, termo hoje considerado pejorativo; por isso se adotou “intersexual”.
- A — assexuais: pessoas que não sentem, ou sentem pouca, atração sexual.
- + (mais): representa a diversidade de outras formas de expressão da sexualidade e do gênero não citadas nas letras anteriores.
As letras L, G e B referem-se à orientação sexual. Para a psicologia, a orientação sexual é a forma como a pessoa entende e vive a sua sexualidade — não é uma escolha, mas uma característica do indivíduo. Já a letra T diz respeito à identidade de gênero.
Pessoas trans e a cirurgia de redesignação
Para as pessoas trans, o reconhecimento da identidade de gênero é autorreferente: não é necessária a cirurgia de redesignação sexual (conhecida popularmente como “cirurgia de mudança de sexo”) para que a pessoa seja reconhecida em seu gênero. Quando a pessoa opta por esse procedimento, existe acompanhamento psicológico e psiquiátrico para apoiar todo o processo.
Como a psicologia e a psiquiatria lidam com a disforia de gênero?
Ao longo da história, a forma de classificar essa experiência mudou bastante, e ainda hoje há debate sobre como ela é compreendida em diferentes culturas e manuais diagnósticos. O texto original desta página cita que o DSM-5 a descreve como uma “síndrome cultural”, no sentido de ser tratada como “doença” apenas em contextos culturais específicos. Nas classificações mais recentes, a tendência é compreender a identidade de gênero como parte da diversidade humana; o foco do cuidado em saúde mental está no sofrimento, e não na identidade em si.
O que se sabe com segurança é que pessoas trans e com disforia de gênero frequentemente sofrem preconceito e exclusão social. Esse contexto gera questões particulares que influenciam a saúde mental e podem levar a ansiedade, depressão, isolamento e conflitos familiares. Por isso, tanto a psicologia quanto a psiquiatria têm papel fundamental no acolhimento: compreender as individualidades, promover qualidade de vida e fortalecer aspectos da identidade para que a pessoa consiga lidar melhor com os preconceitos vividos.
Qual é o tratamento para a disforia de gênero?
Não se trata de “corrigir” a identidade de ninguém. O cuidado em saúde mental busca reduzir o sofrimento e apoiar a pessoa em suas decisões, com respeito à sua autonomia. Em geral, o acompanhamento pode envolver:
- Psicoterapia: espaço seguro para falar sobre identidade, autoaceitação, relações familiares, escola, trabalho e experiências de discriminação.
- Acompanhamento psiquiátrico: avaliação de quadros associados, como ansiedade e depressão, e suporte em processos de transição quando a pessoa opta por eles.
- Orientação à família: ajuda para que pais e familiares compreendam o que a pessoa está vivendo e ofereçam um ambiente de apoio.
- Trabalho em equipe multidisciplinar: articulação com outros profissionais de saúde quando necessário.
Na Aster, a principal abordagem psicológica é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que ajuda a identificar pensamentos e crenças que aumentam o sofrimento — por exemplo, a internalização do preconceito — e a desenvolver estratégias para lidar com situações difíceis.
Disforia de gênero em crianças
No caso de crianças, a revisão integrativa “Disforia de gênero em crianças: revisão integrativa da literatura e recomendações para o manejo na Atenção Primária à Saúde” orienta que o médico de Família e Comunidade levante a suspeita diagnóstica por meio de investigação clínica (anamnese e exame físico), assegurando um ambiente acolhedor e profissional, sem julgamentos ou discriminação, para que a família se sinta segura ao expor suas dúvidas.
Segundo os autores, a principal preocupação é identificar potenciais riscos à segurança da família e da criança em seu contexto social e cultural. Deve-se garantir o bem-estar físico, emocional e social da criança para que ela possa desenvolver sua identidade de gênero adequadamente. O diagnóstico definitivo é responsabilidade de uma equipe multidisciplinar experiente em crianças com disforia de gênero (MARIANO & MORETTI-PIRES, 2018, p. 9). Para famílias, a terapia infantil e a orientação aos pais podem ser um bom ponto de partida.
Como um psicólogo pode ajudar pessoas LGBTQIA+ a viver esse orgulho?
Ao compreender que a sua sexualidade não é heterossexual, ou que a sua identidade de gênero é diferente da que lhe foi atribuída, muitas pessoas vivem conflitos psicológicos. Esses conflitos merecem ser acolhidos de forma ética por profissionais de saúde mental, como psicólogos e psiquiatras. O objetivo do acompanhamento é ajudar a pessoa a transformar a dor causada pela exclusão em autoaceitação e orgulho de quem é, e a aprender a lidar com esses sentimentos diante da sociedade.
Na prática, a terapia pode ajudar a:
- compreender e nomear sentimentos sobre identidade e sexualidade;
- lidar com o medo de rejeição e com o processo de se assumir para a família e os amigos;
- enfrentar situações de discriminação na escola, no trabalho ou em casa;
- reduzir sintomas de ansiedade e de depressão associados ao preconceito;
- fortalecer a autoestima e construir uma rede de apoio.
O papel da família e da rede de apoio
A forma como a família reage tem grande peso no bem-estar de quem vive a disforia de gênero. Pais, irmãos e parceiros também podem sentir medo, culpa ou confusão — e esses sentimentos merecem espaço. O acompanhamento psicológico pode ajudar a família a:
- buscar informação de qualidade, sem estereótipos;
- escutar a pessoa com respeito, usando o nome e os pronomes com que ela se identifica;
- lidar com as próprias emoções sem transferi-las para quem está em sofrimento;
- proteger a criança ou o adolescente de situações de violência, bullying ou exclusão.
Uma rede de apoio acolhedora — família, amigos, escola, colegas de trabalho — costuma funcionar como fator de proteção para a saúde mental.
Como é o primeiro atendimento?
No primeiro contato, o profissional escuta a história da pessoa, o que a trouxe até ali e quais são suas expectativas. Não há respostas certas ou erradas, nem pressão para definir rótulos. A partir dessa conversa, o psicólogo e, quando necessário, o psiquiatra combinam com o paciente (e com a família, no caso de crianças e adolescentes) os próximos passos do acompanhamento. Se quiser se organizar antes, veja como se preparar para a primeira consulta.
Quando procurar ajuda?
Vale buscar apoio profissional quando o sofrimento ligado à identidade de gênero ou à sexualidade passa a afetar o sono, os estudos, o trabalho, os relacionamentos ou a vontade de viver; quando há conflitos familiares intensos; ou quando a pessoa sofre discriminação e não sabe como lidar com ela. Pais e responsáveis que têm dúvidas sobre o que uma criança ou adolescente está vivendo também podem procurar orientação.
Em situação de crise: se você ou alguém próximo tiver pensamentos de se machucar ou de tirar a própria vida, procure ajuda imediatamente. Ligue para o CVV no 188 (24 horas, gratuito) ou, em emergência, para o SAMU no 192, ou vá ao pronto-socorro mais próximo.
Atendimento em Guarulhos e online na Aster
Na Aster Psicologia e Psiquiatria Guarulhos realizamos atendimentos com adultos, jovens e crianças com queixa de disforia de gênero ou com outras questões relacionadas à sexualidade e a conflitos psicológicos ligados a esse tema. Oferecemos acolhimento e suporte emocional, favorecendo a saúde mental e o desenvolvimento da expressão da subjetividade.
A clínica fica no Jardim Bom Clima, em Guarulhos, em frente ao Hospital e Maternidade Bom Clima, e também atende por terapia online para todo o Brasil e o exterior. Para o atendimento psicológico, é possível começar por uma pré-consulta gratuita, que é uma avaliação inicial do caso.
Referências bibliográficas
- PROCÓPIO, Adélia de Souza. A política de gênero, do pessoal ao global. Revista Estudos Feministas [online]. 2016, v. 24, n. 3, pp. 1007-1010.
- MARIANO, T. S. O.; MORETTI-PIRES, R. O. Disforia de Gênero em crianças: revisão integrativa da literatura e recomendações para o manejo na Atenção Primária à Saúde. Rev Bras Med Fam Comunidade. 2018;13(40):1-11.
Perguntas frequentes
O que é disforia de gênero?
Disforia de gênero é o sofrimento psicológico que pode surgir quando a identidade de gênero de uma pessoa não corresponde ao sexo atribuído no nascimento. A pessoa pode sentir desconforto com o próprio corpo, com o nome, os pronomes ou as expectativas sociais impostas. O termo incongruência de gênero também é usado. O foco do cuidado em saúde mental é acolher e reduzir esse sofrimento, respeitando a identidade de cada pessoa.
Disforia de gênero é uma doença?
A identidade de gênero em si não é considerada uma doença. As classificações mais recentes tendem a compreendê-la como parte da diversidade humana, e o que recebe atenção clínica é o sofrimento associado, muitas vezes ligado ao preconceito e à exclusão social. Por isso, o acompanhamento psicológico e psiquiátrico busca acolher, apoiar e promover qualidade de vida, e não mudar quem a pessoa é.
Qual a diferença entre identidade de gênero e orientação sexual?
Identidade de gênero é como a pessoa se reconhece: homem, mulher ou outra identidade. Orientação sexual é por quem ela sente atração. São dimensões independentes: uma pessoa trans pode ser heterossexual, gay, bissexual ou assexual, por exemplo. Na sigla LGBTQIA+, as letras L, G e B se referem à orientação sexual, enquanto o T se refere à identidade de gênero.
Como o psicólogo ajuda quem vive a disforia de gênero?
O psicólogo oferece um espaço seguro e sem julgamentos para falar sobre identidade, autoaceitação, família, escola e trabalho. A terapia ajuda a lidar com o medo da rejeição, com situações de discriminação e com sintomas como ansiedade e tristeza. Na Aster, a abordagem principal é a Terapia Cognitivo-Comportamental, que trabalha pensamentos e crenças que aumentam o sofrimento e fortalece a autoestima.
Psicólogo ou psiquiatra para questões de identidade de gênero?
Os dois podem atuar juntos, conforme a necessidade. O psicólogo conduz a psicoterapia e o acolhimento emocional. O psiquiatra é o médico que avalia quadros associados, como depressão e ansiedade, e acompanha processos de transição quando a pessoa opta por eles, como antes de uma cirurgia de redesignação. Só uma avaliação individual indica qual caminho faz mais sentido em cada caso.
Crianças podem ter disforia de gênero? Como os pais devem agir?
Sim, algumas crianças demonstram desde cedo desconforto com o gênero atribuído. A literatura orienta que a família seja acolhida sem julgamentos, que se observe o bem-estar físico, emocional e social da criança e que o diagnóstico seja feito por equipe multidisciplinar experiente. Os pais podem buscar orientação psicológica para entender o que a criança vive e como oferecer um ambiente seguro.
É preciso fazer cirurgia para ser reconhecido como pessoa trans?
Não. O reconhecimento da identidade de gênero da pessoa trans é autorreferente, ou seja, não depende da cirurgia de redesignação sexual. Algumas pessoas optam pelo procedimento e outras não, e as duas escolhas são válidas. Quando a pessoa decide pela cirurgia, existe acompanhamento psicológico e psiquiátrico para apoiar todo o processo, antes e depois.
Tem atendimento online para disforia de gênero?
Sim. A Aster oferece terapia online e psiquiatria online para pessoas de todo o Brasil e do exterior, além do atendimento presencial no Jardim Bom Clima, em Guarulhos. O formato online pode ser mais confortável para quem ainda não se sente seguro para falar do tema em outros espaços. Para a psicologia, é possível começar com uma pré-consulta gratuita, que é uma avaliação inicial do caso.
























